Categoria de base é por conta dele

domingo, 4 de janeiro de 2009

Jornal Comercio do Jahú
Paulo César Grange

Comércio - Você foi o último a ser incorporado à comissão técnica do XV, mas recebeu o convite desde o início, correto?
Mariníveo Caetano - Recebi sim, mas primeiro queria concluir meu trabalho na categoria juvenil, que estava disputando uma competição estadual e na fase final. Agora estou liberado. Aceitei o convite e quero ajudar o Mano na equipe profissional, mas pensando em um trabalho de reestruturação das equipes de base.

Comércio – Você conhece bem a categoria júnior, afinal quando chegou ao XV jogou nela antes de ser profissional.
Níveo – Conheço e bem. Vim de Santos para Jaú para uma avaliação na categoria júnior. O professor Cilinho viu que eu tinha qualidade e, graças a Deus, acabei ficando no XV. Na época, o XV tinha um time júnior invejável mesmo. Era um celeiro de craques e todos serviram ao elenco profissional por muitos anos.

Comércio - Além do XV, por onde mais você jogou?
Níveo - Ah, joguei, hein! Destaco Ponte Preta, Botafogo de Ribeirão, Internacional de Limeira, Catanduvense, Ituano, Taquaritinga, São Carlense, CRB e CSA/AL.

Comércio – Por que encerrou a carreira em 1998?
Níveo - Bom, eu não parei, quem me parou na ocasião foi o Ely Bíscaro, ex-presidente do Marília. Eu estava jogando lá e ele assumiu a presidência. Proibiu tudo no clube, até mesmo a entrada da imprensa. Então, ficou difícil. Fiquei um pouco descontente e encerrei a carreira de jogador. Agora, a gente bate uma bolinha entre amigos. Minha carreira de jogador teve cerca de 20 anos.

Comércio - E a carreira de treinador, quando começou?
Níveo - Na verdade comecei a carreira de treinador exercendo a função no futebol japonês. Fiquei oito anos como treinador no Japão. Em Jaú, comandei escolinha de futebol, além de auxiliar alguns treinadores. Então, tenho uma certa experiência.

Comércio - E as conquistas?
Níveo - Posso falar que, como jogador profissional, consegui cinco acessos para a primeira divisão do Campeonato Paulista nos clubes por onde passei. Fiz boas campanhas no Campeonato Brasileiro jogando por Ponte Preta, XV de Jaú, CSA/AL e Grêmio Maringá/PR. Em 1983, na Ponte Preta, a equipe campineira ficou entre os oito melhores do Brasileirão.

Comércio - Sempre foi meio-campista?
Níveo - Comecei no XV no meio-de-campo, mas minha função, na verdade, era de meia-atacante.

Comércio – E o que dizer daquele bordão da torcida do XV, que falava “põe o Níveo”, “tira o Níveo”. O que você tem a dizer?
Níveo - Os torcedores eram apaixonados pelo XV e sempre tinha aqueles que falavam ”tira o Níveo”, mas eles mesmos falavam “põe o Níveo”. Era gostoso. O time era bom e dava muitas alegrias à torcida. Aquilo fazia parte e acho que era um atrativo que ficou marcado na memória dos torcedores jauenses. Eu levava na brincadeira, pois sabia que nas arquibancadas só tinha amigos de verdade.

Comércio - Além do futebol, qual atividade que você mais gosta?
Níveo - É curtir os amigos e em especial minha família, minha esposa, minhas duas filhas e não pode faltar meu netinho, Yago.

Comércio - Qual seu time do coração?
Níveo - Sem nenhuma dúvida, realmente é o XV. É lógico.

Comércio - Quais foram seus melhores treinadores?
Níveo - Tive a felicidade de trabalhar sempre com ótimos treinadores, mas não posso esquecer dos professores Cilinho e Roberval Davino. Aprendi tudo e um pouco mais com eles.

Comércio – Hoje, qual seria o técnico ideal para a Seleção Brasileira?
Níveo – O mais preparado é o Muricy Ramalho. Ele fala como a gente, diz a gíria do futebol. Ele fala a língua do jogador.

Comércio - Como você sempre atuou como meia-atacante, qual seria o melhor jogador do setor no momento?
Níveo - Na atualidade destaco o Douglas, do Corinthians; o Lúcio Flávio, ex-Botafogo; e o Kaká.

Comércio - Falando em XV de Jaú para 2009. O que achou dos treinos/amistosos?
Níveo - Vi os dois coletivos em Bariri e Barra Bonita. É muito pouco tempo para a gente analisar. Temos de dar tempo ao tempo. Agora, na reapresentação, segunda-feira, vamos fazer mais coletivos e aí sim, realizar jogos amistosos e não treino. Fazendo alguns jogos-treinos contra times profissionais a gente terá uma base da equipe e analisar se será necessário mais alguma contratação.

Comércio – Como está a expectativa?
Níveo - É bom lembrar que foram apenas coletivos, ou seja, trabalhos com bola, porque até então os treinos eram apenas físicos. Resumindo: foram apenas duas semanas de treinos e uma delas só a parte física. Os jogadores trabalharam apenas uma semana com bola. Estamos acreditando e confiantes e esperamos contar, como sempre, com o apoio dos verdadeiros torcedores jauenses.

Comércio - O que pedir para a torcida numa hora dessas? Qual seu recado?
Níveo - Precisamos de muita união entre torcedores, diretores, empresários, jogadores e imprensa. O XV é de Jaú, é de todos nós. O recado é para ter muita tranquilidade, confiança e sempre acreditar. Pensar positivamente. (PCG e José Roberto Soares)

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